«Parece-me que o melhor emprego que posso fazer do meu ócio é o de reconstruir os factos, descrever os homens que tomaram parte neles diante dos meus olhos, e assim captar e gravar na minha memória, se me é possível, os rasgos confusos que formam a fisionomia indecisa do meu tempo.»

Alexis de Tocqueville - Recordações da Revolução de 1848.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013




Ao que parece, uma tal de Amy Martin, especialista em tudo e mais alguma coisa, desde assuntos europeus ao cinema nigeriano, é nada mais, nada menos do que o pseudónimo sob o qual assinava Carlos Mulas Granados, co-autor do famigerado relatório do FMI (e director de uma fundação obrera que pagava a peso de ouro artigos àquela tudóloga). A minha dúvida é relativamente à data em que se desmascará o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, o conhecido comentador que, semanalmente, recomenda livras à dúzia e, de dois em dois anos, aprecia com olho de ver os jogos da selecção portuguesa nas competições internacionais, e se comprova que afinal é uma personagem criada pelo Artur Baptista da Silva. Alguém arrisca a dizer-mo?

domingo, 9 de setembro de 2012

Indiscrição económica.





















No diálogo inicial da Janela Indiscreta, de Albert Hitchcock, Stella, uma enfermeira que presta assistência ao provisoriamente inválido L. B. Jefferies, diz que previu o crash da bolsa de 1929. É simples a  explicação que dá. Antes da derrocada financeira, tinha cuidado do director da General Motors, que andava com um problema de rins, o que, presumia, se devia a nervos. Evidenciava-se, portanto, a aproximação de problemas: «When General Motors has to go to the bathroom ten times a day, the whole country's ready to let go
Em Dezembro de 2006 a fábrica da Opel em Portugal, na Azambuja, encerrou e foram despedidas mais de mil pessoas, entre operários e trabalhadores indirectamente associados à empresa. Não sei se os administradores da GM - Portugal padeceram de alguma insuficiência renal ou se sofreram algum outro problema fisiológico, mas, em retrospectiva, devíamos ter adivinhado o que se avizinhava. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Portugal, ou a intemporalidade de certas questões (2).


«Não desconsole Vossa Excelência o povo, porque um rei sem povo não é rei, e o povo sem rei é sempre povo.»

D. Álvaro Pires de Castro e Sousa, 1º Marquês de Cascais, a D. Pedro II.

Portugal, ou a intemporalidade de certas questões (1).


«O dinheiro que falta não è por os povos não pagarem e contribuirem com o necessario, e mais do que  podem em tempos tão apertados, senão porque se diminue com estas despezas escusadas, com o que vem a faltar para as necessarias.»

De um parecer da Câmara de Lisboa ao rei D. João IV datado de 7 de Abril de 1649.